Há uma decisão de projecto capaz de transformar completamente a
relação entre a cozinha e a casa. Não depende da pedra da bancada, da marca dos
electrodomésticos ou da cor dos armários. Depende da posição.
Quando deixa de estar encostada a uma parede e passa a ocupar o centro
do espaço, a cozinha deixa de ser apenas um conjunto de equipamentos. Passa a
organizar a arquitectura, a definir percursos e a transformar a forma como as
pessoas vivem a casa.
Foi precisamente para esta ideia que nasceu o bulthaup b2.
Durante décadas, a cozinha foi concebida como uma sucessão de módulos
alinhados contra uma parede. Uma solução eficiente, mas condicionada por uma
lógica industrial que privilegiava a ocupação do perímetro da divisão.
O bulthaup b2 parte de uma premissa diferente.
Os seus três elementos, a bancada de trabalho, o armário de
ferramentas e o armário de electrodomésticos, são peças autónomas, livres para
ocupar o espaço de acordo com a arquitectura da casa. Em vez de revestir uma
parede, afirmam-se como objectos arquitectónicos.
Esta abordagem altera profundamente a forma como um projecto é
pensado. As paredes permanecem livres, a luz percorre o espaço sem interrupções
e a cozinha deixa de funcionar como um volume técnico para passar a estruturar
a organização da casa.
Para arquitectos e designers de interiores, esta liberdade representa
uma mudança importante: a cozinha deixa de ser um problema de arrumação para
passar a ser uma verdadeira decisão de composição espacial.
O conceito do b2 resulta de um longo trabalho desenvolvido pela
bulthaup com Otl Aicher, uma das figuras mais influentes do design europeu do
século XX.
Ao estudar a forma como as pessoas cozinham e habitam os seus espaços,
Aicher chegou a uma conclusão simples: a cozinha encostada à parede não é uma
necessidade natural. É sobretudo uma convenção da produção industrial moderna.
O b2 nasce precisamente da vontade de questionar essa convenção.
Em vez de organizar a cozinha em torno da parede, organiza-a em torno
das pessoas.
O bulthaup b2 estrutura-se em três elementos independentes, que em
conjunto formam aquilo a que a marca chama Kitchen Workshop.
A Workbench reúne as zonas de preparação, cozedura e lavagem
numa superfície contínua, acessível a partir de qualquer lado. É o centro da
cozinha e o ponto de encontro natural entre quem cozinha e quem partilha esse
momento.
A Tool Cabinet concentra utensílios, louça, alimentos e
especiarias num único armário de grande capacidade. Com as portas abertas, tudo
fica imediatamente visível; fechadas, transforma-se numa peça de mobiliário de
linhas depuradas.
A Appliance Cabinet integra frigorífico, forno e restantes
equipamentos num volume vertical discreto, preservando a limpeza visual do
conjunto.
Os três elementos podem organizar-se em linha, em L ou em torno de uma
ilha central, adaptando-se à arquitectura existente em vez de a condicionarem.
A maior transformação introduzida pelo b2 não é técnica. É social.
Numa cozinha convencional, quem prepara a refeição permanece
frequentemente separado de quem convive. A organização linear cria uma
fronteira que afasta a cozinha da vida da casa.
Quando a bancada ocupa o centro do espaço, essa separação desaparece.
Quem cozinha participa naturalmente na conversa, acompanha o ambiente
e recebe os convidados em torno da bancada. Cozinhar deixa de ser uma
actividade isolada para se tornar parte da experiência de habitar.
Esta dimensão esteve no centro do trabalho desenvolvido pela EOOS, o
estúdio vienense responsável pelo design do sistema. Através da sua metodologia
Poetical Analysis, concluiu que os melhores momentos acontecem quando
cozinhar e conviver deixam de ser actividades distintas.
O b2 não impõe esse comportamento.
Limita-se a criar as condições para que ele aconteça de forma natural.
A escolha dos materiais segue a mesma filosofia que define toda a
abordagem da bulthaup: honestidade, precisão e permanência.
A bancada em aço inoxidável escovado adquire marcas com o uso,
transformando o quotidiano numa memória visível do espaço. O carvalho maciço
ganha profundidade ao longo dos anos, enquanto a ardósia revela uma presença
mineral discreta e intemporal.
Os armários, disponíveis em folha de nogueira ou carvalho, completam
uma paleta de materiais concebida para envelhecer com dignidade, sem depender
de tendências.
Lançado em 2008, o b2 continua hoje a parecer tão actual como no
primeiro dia. Não porque siga uma moda, mas porque foi desenhado segundo
princípios que permanecem válidos ao longo do tempo.
O bulthaup b2 revela todo o seu potencial em casas onde cozinha e sala
partilham o mesmo espaço. Em lofts, apartamentos de planta aberta ou moradias
contemporâneas, permite integrar uma cozinha totalmente equipada sem
comprometer a leitura da arquitectura.
É igualmente uma solução valorizada por arquitectos e designers que
procuram preservar a fluidez dos espaços, evitando transformar uma parede
inteira numa sucessão de armários.
Mas, acima de tudo, é uma cozinha para quem procura permanência.
Uma cozinha capaz de acompanhar diferentes fases da vida, de se
adaptar à evolução da casa e de continuar relevante muitos anos depois da sua
instalação.
O bulthaup b2 pode ser conhecido no showroom da Desenhabitado, em
Lisboa.
Mais do que observar fotografias ou consultar um catálogo, visitar o
espaço permite compreender aquilo que distingue verdadeiramente o sistema: a
precisão dos detalhes, a qualidade dos materiais e a forma como cada elemento
se relaciona com a arquitectura envolvente.
Há qualidades que só se revelam através da experiência.
O bulthaup b2 é uma delas.